segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Minha ''pesquisa'' sobre o suicídio de Yoñlu + comentários

Há dias, li uma matéria na revista Época, de 2008 a respeito do suicídio do Vinicius. Admito que fiquei impressionada com as coisas que vi. Foi a primeira redação que explicou totalmente e com palavras simples, detalhadas e sem enrolação. Eu já sabia bastante da história dele, havia inclusive lido ela aqui. 
As vezes me pergunto se tô ficando paranoica e obcecada por esse garoto, pelo fato de meu interesse em sua história ser muito grande, mas eu me sinto tão ligada emocionalmente que não consigo parar... Resolvi citar alguns trechos da matéria nessa postagem, incluindo o comentário de um anônimo do fórum Darkside que encontrei ontem (09/08), que me deixou muito pensativa sobre esse comovente caso.

 "Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios.’’ 



''No mundo virtual não há nenhuma perversão nova, apenas as velhas modalidades que já assombravam as ruas da realidade. A diferença é que, na internet, qualquer um pode exercer seu sadismo protegido pelo anonimato, na certeza da impunidade. Basicamente, a ideia é: “Se ninguém sabe quem eu sou, não só posso ser qualquer um, como posso fazer qualquer coisa”. 
O brasileiro Vinícius Gageiro Marques deixou o inventário de seu suicídio. Documentou sua morte na carta de despedida impressa em papel e no registro virtual da internet. Seguindo seus passos, é possível chegar ao impasse de uma época em que adolescentes habitam dois mundos – mas os pais só os alcançam em um.
Como Yoñlu, ele marcou seu suicídio no mundo virtual para as 11 horas de 26 de julho de 2006. No mundo real, Vinícius estava havia dois meses em internação domiciliar por determinação de seu psicanalista. Ele era um garoto superdotado, descrito como “extraordinariamente inteligente” e “extremamente sensível”. Filho único do casamento de um professor universitário que foi secretário de Cultura do Rio Grande do Sul com uma psicanalista, ele teve todo o estímulo para desenvolver inteligência e sensibilidade. Mas o mundo doía em Yoñlu, como mostram as letras de muitas de suas músicas. Sua questão não era morrer, mas fazer a dor parar.''


Alguns trechos da entrevista do psicanalista de Vinicius, Mário Corso à revista Época:
''ÉPOCA – Na carta que deixou aos pais, Vinícius escreveu que você poderia ajudá-los a entender as razões do suicídio. Por que ele se suicidou?
Corso –
Esse menino estava numa crise prolongada de angústia. Não foi a primeira tentativa de suicídio dele. Ele já havia tido crises anteriores que conseguiu contornar. Uma vez ele se sentou na beira da cobertura e me ligou. A gente ficou falando um bocado de tempo sobre se valia a pena pular ou não. E ele não pulou. Ele precisava ouvir a voz de alguém que o lembrasse da sua ligação com a vida, dos laços que tinha com os que o rodeavam. Não havia uma outra voz dizendo para ele pular. E acredito que isso fez toda a diferença. 
  

ÉPOCA – Por que ele se suicidou de uma forma “assistida”? Ele chegou inclusive a botar uma foto das churrasqueiras com fogo na internet. O que significou esse suicídio ao vivo pela internet?
Corso –
Ele é de uma geração que se criou dentro da internet. Essa é a questão que foi subestimada por mim – e eu não posso falar por eles, mas talvez tenha sido subestimada pelos pais também. Com 11 anos ele freqüentava grupos de discussão onde se apresentava tendo 26. E ele passava por 26 anos. Esse menino era superdotado, extraordinariamente inteligente, e cresceu numa família muito estimuladora, intelectualmente rica, com um pai e uma mãe muito cultos. Ele sugou essa cultura rapidamente. O Vinícius herdou do pai a profundidade política, social, e da mãe a perspicácia emocional. Tinha o que poderíamos chamar de excesso de lucidez. Mas sem condições de suportar essa carga por causa da pouca idade. Era um menino que tinha uma capacidade de compreender profundamente o mundo, mas não tinha a consistência emocional para dar conta do que via, do que decodificava. Reduzido a si mesmo, via-se deformado, feio, pequeno. Ele tinha uma hipersensibilidade ao mundo que lhe fazia bastante mal. Como se ele vivesse um pouco o noticiário, o mundo como ele acontece. Era uma caixa de ressonância do mundo. 



ÉPOCA – Isso significa que ele era mais afetado pelas grandes tragédias do mundo ou pelas pequenas misérias ao seu redor?
Corso –
Ele sofria com a brutalidade do mundo. Este era um tema caro para ele: sofria vendo as pessoas sendo humilhadas, sofria com a hierarquia. Ele tinha uma compreensão hiperbólica do mundo. Era como se para ele a escravidão não tivesse acabado no Brasil. Ele ficava imaginando como era a vida da empregada, do porteiro. Ele fica tentando imaginar como essa vida era e como eles cabiam nessa vida que ele achava pequena e estreita. E como sofriam por isso.



ÉPOCA – Ao mesmo tempo, ele é descrito por algumas pessoas do colégio como alguém que não se relacionava muito com os outros, alguém que se dava bem com todo mundo e ao mesmo tempo com ninguém, que vivia numa espécie de mundo próprio.
Corso –
Houve várias fases dele. Ele teve dois tratamentos comigo. O primeiro foi iniciado quando ele tinha 11 anos. Ele me procurou por uma certa fragilidade que tinha. Já tinha esse desencaixe, essa precocidade extraordinária. É difícil viver numa sala de aula quando você entende muito o que está acontecendo. Imagina se você fosse adulta e tivesse de voltar para o primeiro ano. Aqueles empurrões e cotoveladas, aquelas maldadezinhas. Ele estava sempre um pouco à frente do seu tempo e isso fazia diferença para os colegas dele. Ele ficou comigo dos 11 aos 13 anos na primeira vez. Fez progressos muito importantes e saiu bem. Nessa época ele se aproximou muito do pai e ficou mais extrovertido. Melhorou também na sala de aula, ficou mais popular, ganhou até um apelido, Pipoca. Eu tinha notícias esparsas dele e ele estava bem. Em 2004 foi um período ótimo, em 2005 não foi tão bom e ele retornou. 



ÉPOCA – Desde quando você sabia que havia risco de suicídio e que tipo de providência foi tomada?
Corso –
Eu soube desde o começo. Ele disse na primeira vez que me procurou que havia pensado em se matar. Isso no segundo tratamento. Eu mantive isso comigo até sentir que a situação poderia escapar das minhas mãos. Então eu comuniquei aos pais. E nós combinamos que ele ficaria em internação domiciliar. Nesses casos sempre há alguém com o paciente, ele não fica sozinho em momento algum. Os pais já tinham desconfiança sobre isso, entenderam logo e passaram a não desgrudar dele. Mas enquanto a gente cuidava dele, tinha alguém que puxava ele para baixo. Aí entrou o fator extra, que nós desconhecíamos. Não sabíamos que ele tinha alguém que o incentivava a achar que a vida não vale a pena. Ele havia me dito que entrava na internet para ver formas de suicídio, a gente discutiu muito sobre os suicídios que estavam ocorrendo no Japão. Mas eu não sabia que ele discutia abertamente o valor da sua própria vida na internet. 



ÉPOCA – Ele era depressivo? Usava algum tipo de medicação?
Corso –
Não usava. E eu não vejo razão para classificações aqui. Isso não é relevante para essa discussão ou para o público que está lendo a revista. 



ÉPOCA – Por que ele dizia que queria se matar?
Corso –
Ele não falava que queria se matar. Ele falava que era impossível viver, que não se sentia com forças para viver, o que é um pouco diferente de ter vontade de morrer. Ele tinha uma vontade de desaparecer, de que algo cessasse a dor constante que ele sentia. 



Época - Há quanto tempo ele estava nessa internação domiciliar?
Corso –
Começou dois meses antes do suicídio. 



ÉPOCA – Vocês sabiam que havia risco de suicídio, você e a família estavam cuidando dele, mas ao mesmo tempo havia um outro enredo se desenrolando a partir da internet, dentro de um mundo virtual. Como é isso?
Corso –
Este foi o erro, o engano. Subestimar o papel da internet. Eu uso a internet, mas eu não a habito, eu não moro dentro da internet. Tem gente que mora. 



ÉPOCA – Ele morava dentro da internet?
Corso –
Ele habitava nela. Não vamos achar que a internet é uma coisa ruim a priori. Ele construiu a obra dele na internet, a troca de músicas que resultou no disco interessante que ele fez foi graças à internet. A internet pode ser extraordinariamente interessante, ela possibilita encontros que não estavam colocados antes. É o paraíso dos solitários, das pessoas tímidas. Tem proporcionado a construção de laços entre pessoas distantes. Agora, por outro lado, a internet possibilita também o contato de outro tipo de coisa que nunca aconteceria sem ela. A internet não criou nenhum tipo de doença mental, todas elas pré-existiam. Mas ela possibilita o incremento de certas morbidades por uma possibilidade de compartilhar e, a partir disso, criar uma identidade. Um exemplo é o que acontece com a anorexia, uma doença gravíssima, muitas meninas morrem disso. Antes da internet, uma não encontrava a outra. Com a internet o que elas conseguem? Trocam idéias sobre a anorexia não no sentido da auto-ajuda, mas da manutenção da patologia. E da glamourização dela. Encontram alguém que as apóia em permanecer nessa atitude doentia, a construir uma identidade a partir dela. Outro exemplo: imagina um sujeito pedófilo numa cidadezinha no interior onde provavelmente ele era o único pedófilo. Antes ele era uma aberração aos olhos da comunidade e dele mesmo. Na medida em que ele consegue compartilhar isso com outras pessoas na internet e descobre que há um monte de gente como ele, isso faz com que tenha coragem de se pensar enquanto grupo. Não como doente, mas como um estilo. A internet possibilita uma série de coisas extraordinárias, mas também uma série de coisas doentias. 


ÉPOCA – E o que podemos fazer? Nós vivemos numa espécie de esquina histórica. Os pais de hoje pertencem à geração que só conheceu a internet depois de adultos. Seus filhos habitam a internet desde a infância. Os pais vêem os filhos dentro do quarto, sentados, sozinhos, digitando no computador, e ficam tranqüilos porque não poderiam estar mais seguros: dentro de casa e sozinhos. Mas naquele momento os filhos estão no mundo, sujeito a pedófilos e perversos de todo o tipo, e sem pai nem mãe. Mesmo os pais que conhecem os riscos estão impotentes porque não dominam os códigos desse mundo virtual. Provavelmente quando essas crianças e adolescentes forem pais, esse gap geracional, pelo menos no sentido da internet, não vai mais existir. Mas hoje, agora, o que podemos fazer?
Corso –
Eu resolvi dar essa entrevista para que se comece uma discussão sobre isso. Não acredito em controle, acho que a internet é incontrolável. É algo como tentar proibir o papel. É inócuo, inútil, estúpido. Mas ela está aí e a gente vai ter de inventar formas para lidar com isso. Acho que o único jeito é a velha teoria de sempre. Se você quer cuidar de seus filhos, fique perto deles, tenha consciência do abismo que separa as gerações na forma de se relacionar com esse meio de comunicação. Procure dialogar com eles sobre o que ocorre também em seu mundo virtual. Para a nossa geração não está ocorrendo nada sério ali, mas para os mais jovens amores, destinos e até a vida e a morte podem estar sendo decididos na internet. Essa diferenciação entre o real e o virtual não é tão radical para eles. Há um portal em que eles transitam, lá onde nós somente vemos uma linha divisória, uma parede. É como a TV. A TV pode ser muito nefasta se ela for a única via de acesso ao conhecimento de uma criança. Mas se ela ficar diluída com a escola, com os pais, ela é um estímulo a mais. Quem vai ficar mais exposto à internet é quem tem menos laços reais com o mundo, quem constrói laços prioritariamente virtuais. O Vinícius estava num momento de muita fragilização com o mundo. Então ele se voltou para a internet. Embora ele também sofresse na internet, nos grupos de discussão. Não era uma vida fácil nem no mundo virtual. Mas a internet é um bom mundo para quem tem problemas com o corpo. O corpo não está ali, ali é só a palavra. Para quem é só corpo a internet não funciona. 



ÉPOCA – Ele deixou o CD como legado?
Corso –
Creio que esse mérito é dos pais dele. O CD não estava organizado. Eu mesmo tinha algumas músicas no meu computador. Foi o pai que organizou o CD e o fez com a ajuda de alguns amigos. Este CD é um re-encontro do pai dele com ele e acho bem corajoso o que ele está fazendo. A resposta mais comum nesses casos é a depressão e o apagamento, o esquecimento do filho. Eu vi tantos casos em que os filhos são cortados das fotos, como se nunca tivessem existido, como se estes pais nunca tivessem passado por isso. Acho que é uma atitude digna, corajosa, bem-vinda para o Vinícius, para os pais, para a música, para todo mundo.''


 Por fim, o comentário do user Conrado, no fórum:
''A maioria das pessoas só vê pequenas facetas, o suficiente pra conseguir viver adequadamente com os problemas que tem. Compreender o mundo além disso é um convite à depressão, pois se passa por muita coisa desagradável e "errada". Eu mesmo já passei (e ainda passo) por essa situação, mas ao invés de me fechar pra viver tranquilamente, eu procuro aumentar minha percepção pra compreender melhor os motivos das coisas serem como são. Se não fosse isso, eu provavelmente seria depressivo crônico. Ao que me pareceu, o Vinícius teve essa compreensão desde muito cedo e muito rápido, e ele não suportou conciliar isso com todas as agruras que já são garantidas da adolescência. Qual adolescente normal (tirando os que tiveram vidas "perfeitas", filhinhos de papai pegadores e etc) que nunca pensou em suicídio pelo menos uma vez? Pode ser bobagem adolescente, mas no caso dele acabou virando uma bola de neve. Acontece, infelizmente aconteceu, e no momento de fraqueza a única coisa que ele achava que tinha era um bando de FOREVER ALONE na internetz instigando, querendo fazer alguma coisa macabra acontecer a um mero desconhecido pra sua própria diversão doente. É isso que moveu o terapeuta dele a fazer essa entrevista. Se o Vinícius tivesse pelo menos entendido de fato que haviam pessoas que o amavam, que precisavam dele, que estariam ali com ele incondicionalmente, talvez ele pudesse suportar a dor a ponto de desenvolver uma mudança de perspectiva.''

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi8TxySZrXsBX-g0dtM-JcLMsHIveIOT6vwAhKEBsm-4DdL2B49ye8exkXYoEuPb6CBMIlzTOTLdRFBkHp0_ylVLZRYKGXLlAORDypX-5MiOWZOKkNUiV_1MzYKlN7tCRV9pltBAgTGeWw/s1600/Yo%C3%B1lu+-+Vin%C3%ADcius+Gageiro+Marques.JPG

Depois de ver a opinião desse cara e a entrevista do psicanalista, pude deduzir que o Yoñlu não tinha coragem de se matar. Ele tinha vontade, mas capacidade pra isso, não. Ele sofria pelos cantos e expressava o que sentia através da música.
Talvez ele soubesse da sua incapacidade e estivesse apenas esperando uma razão verdadeira ou um estímulo pra fazer tal ato. E foi o que aconteceu: várias pessoas nesse mundinho secreto da Internet o incentivaram a cometer o suicídio... acredito que o Vinicius se deixou levar pelo momento, agiu sem pensar, por impulso, mas ele era frágil e ingênuo demais pra esse mundo tão cruel. Talvez nos últimos segundos ainda vivo, ele deva ter percebido que não era aquilo que ele queria, ou talvez ele tenha comemorado a sua grande conquista que foi o desejado fim de sua dor. Em sua carta de despedida, Vinícius escreveu: “Se conseguirem enxergar além da ótica da paternidade, verão que nada de especial aconteceu no dia de hoje. O mundo continua igual. (...) Espero que não tenha ficado nada pendente”. - na minha concepção ele quis dizer que se os pais enxergassem aquilo fora do ponto de vista paterno, perceberiam que a morte não é algo tão ruim e que é algo natural, pois acontece com todos. O mundo não para, é o ciclo da vida -
Mas, infelizmente, ele estava errado. Para algumas pessoas nada nunca mais será igual. Tudo ficou pendente.
10/08 - 19:40

10 comentários:

  1. Respostas
    1. Paren de tratar esse tema com essa ar romântico! O que esse rapaz doente fez é totalmente ERRADO. Ele as pessoas dos fóruns que ele frequentava.
      Ainda divulgou nas redes o que estava fazendo. Pessoas que sofrem de depressão não precisam(não devem) ter gatilhos como esse. Conheço uma adolescente de 12 anos que ficou obcecada pela história desse rapaz e muito mais pela forma romantizada como o suicídio é tratado ao contarem a história desse rapaz.

      Excluir
  2. Isso é tão lindo... ele com certeza define tanta gente. Nós não temos vontade de morrer,e sim fazer a dor passar! Queremos ser felizes,ter amigos e aproveitar cada momento! Infelizmente,isso não está ao alcance de todos. As pessoas,na maioria das vezes,podem mudar isso,mas elas ficam cegas pela angústia e acham que não. Eu sei que é difícil enfrentar isso,mas tenham força,gente! <3

    ResponderExcluir
  3. Você realmente captou a essência do pobre garoto Vinícius. É horrível não sentir prazer em fazer as coisas que ama. Esse é, na minha humilde experiência e opinião, o estágio mais crítico da depressão. Yonlu era um músico de talento, mas não era notado pela mãe, nem tanto pelos amigos muito menos pelos pais. Ele sentia tudo humilhante por não ser notado pelo talento, aquilo afetou drasticamente a sua confiança em si. Desde criança indo ao analista sendo que deveria ter jma educação a altura do seu nível intelectual e com um tutor vocacional, já que os pais tinham condição financeira. Vinícius se prendeu a Yonlu na esperança que fosse o escape necessário para toda a angústia de todo o convívio inexistente em casa, na escola... "A verdade e que ninguém comhecia o Vinícios. Conheciam o Pipoca..." E o pai que só soube das composições dele no pós-morte. A depressão nos mata em vida. A mãe era uma companheira, mas apenas deixou o filho ali no quarto/estúdio... Poderia ter feito mais. Todos pais podem fazer mais por seus filhos depressivos, porém, não enxergam, atarefados com a vida adulta. O medo da noite, a insegurança, a angústia, a fragilidade, o senso de empatia pelo mundo; tudo isso era demais para alguém que era "demais" reduzido ao filho que volta da escola ou do analista. Doi extremamente sentir a dor do menino Vinícius em suas composições, doi extremamente saber que ele não teve um abraço que o fizesse sentir o coração batendo. Desfazer-se do que mais ama ou não sentir mais libertação naquilo que mais o fazia bem, é uma dor imensa para um depressivo. O tempo que passou entre os indícios de suicídio e consumação do ato, foram os meses mais terríveis de sua vida. Nesse tempo, o processo de despedida se desenvolveu, os pais dele sabem disso; a cadência e harmonia eram para acontecerem antes do fim, não foi possível. Ao lidar com a letra de "Suicide Song", os pais lhe negaram amor e o cercou de mais desconfiança e insegurança... O mal estava conectado no seu habitat natural de liberdade. Os dois personagens dos pais fracassaram e é deles o mérito de Vinícius ter encontrado a cadência e harmonia no momento mais sombrio, o sentimento de felicidade por se livrar daquela dor, enquanto seus pulmões perdiam a força vital e sua alma se desprendia do corpo. O que acontece no pós-morte, é uma incógnita; se Vinícius encontrou a paz, jamais se saberá; a única certeza é que sua dor foi cessada e a felicidade de não sofrer mais veio no momento mais sombrio da vida de um menino que era extremamente brilhante, mas que foi tratado como doente pelos que sentem a dor incessante de sua perda.

    Apesar de toda a dor, é impossível não sentir o amor em cada nota de suas composições. Yonlu é o que Vinícius merecia ser: grande e amado.

    ResponderExcluir
  4. vcs romantizam demais a depressão, deixem de ser ridículos! Isso que esse cara fez não foi certo e nunca será a saida correta pra nada! Um suicídio muda a vida de quem convive com o suicida pra sempre, não é bonito, não é legal, não é romântico, é DOLOROSO! Depressão é uma doença e precisa ser TRATADA, NÃO ROMANTIZADA.

    ResponderExcluir
  5. Vinícius, pode não estar presente fisicamente. Más Mas garanto que no coração de muitos ele está. Gostaria que ele estivesse bem, que tivesse vencido toda essa dor que essa geracao doentia despertou nele.

    ResponderExcluir
  6. isso tudo foi muito pesado cara,estou lendo essas coisas e tendo um choque de realidade absurda!Mas garanto que esse garoto vai ser pra sempre lembrado,pelo menos por mim.

    ResponderExcluir